Os dispositivos intra-uterinos (ou DIUs) são métodos contraceptivos que vêm caindo cada dia mais no gosto das mulheres.
Dentre seus principais benefícios, estão a alta eficácia, a longa duração, o baixo índice de efeitos colaterais, a facilidade de inserção e retirada, e a possibilidade de contracepção de baixa dose hormonal ou totalmente livre de hormônios.
São indicados para todas as mulheres que desejam contracepção eficaz, incluindo adolescentes (principalmente aquelas com baixa adesão a métodos de uso diário), mulheres que nunca tiveram filhos (nuligestas), no pós parto ou pós aborto, durante a amamentação, e em pacientes com contraindicação à métodos com estrogênio.
A inserção do DIU é realizada em consultório médico, por profissional competente, de forma rápida e segura.
Entenda e veja exemplos de inserção de DIU | Dra. Thalia Maia | Grupo Elas
O procedimento é realizado com passagem de espéculo (igual ao da coleta da prevenção), medição da cavidade uterina, e posicionamento do DIU dentro da cavidade.
O DIU pode ser inserido a qualquer momento do ciclo menstrual (desde que a mulher apresente teste de gravidez negativo), mas durante a menstruação, o incômodo da inserção pode ser menor, já que o colo do útero encontra-se entreaberto.
Em geral é um procedimento bem tolerado, com a maioria das pacientes relatando apenas um desconforto leve, mas pode-se usar anestesia local ou via oral para diminuir este desconforto. Pacientes muito sensíveis à dor podem necessitar inserção em centro cirúrgico, sob sedação.
Após a inserção, é indicada a realização periódica de ecografia transvaginal, para confirmar o posicionamento do dispositivo no útero.
Tipos de DIU:
Dividimos os DIUs em dois grupos: hormonais e não hormonais.
Os DIUs hormonais são aqueles que fazem a liberação lenta de um tipo de progesterona sintética chamada de Levonorgestrel.
São métodos contraceptivos, portanto, compostos apenas por progesterona, podendo ser usados inclusive por mulheres no pós parto, ou naquelas com histórico de trombose, hipertensão, tabagismo, ou outras contraindicações ao uso de estrogênio.
Seus mecanismos de ação incluem o espessamento do muco cervical (tornando o ambiente hostil aos espermatozóides) e a atrofia da camada interna do útero, chamada de endométrio. Sua eficácia contraceptiva chega a 99,8%, e sua duração é de 5 anos, podendo, porém, ser retirado a qualquer momento antes disso.
Este bloqueio endometrial leva à redução importante (e, na maioria dos casos, à interrupção) do fluxo menstrual, fazendo com que estes dispositivos sejam usados não só para contracepção, mas também para tratamento de cólicas intensas, endometriose, adenomiose, controle de sangramento uterino aumentado e de hiperplasia endometrial, e proteção endometrial durante a reposição hormonal.
Apesar de todos estes benefícios, os DIUs hormonais, bem como os demais métodos só de progesterona, podem cursar com efeitos colaterais como aumento da oleosidade da pele e sangramentos transvaginais irregulares (os chamados escapes).
Entretanto, são considerados métodos de baixa dose hormonal, já que a maior parte do hormônio é absorvida localmente, levando a pouca absorção sistêmica, e, assim, a menor incidência destes efeitos adversos.
Atualmente, os DIUs hormonais disponíveis no Brasil são o Mirena e o Kyleena.
A diferença entre eles é a dose hormonal, com o Mirena liberando um total de 52 mg de Levonorgestrel ao longo de 5 anos, enquanto o Kyleena libera 19,5 mg no mesmo período.
Os benefícios da dose hormonal maior são um maior controle do ciclo, e uma maior chance de interrupção do fluxo menstrual; enquanto os benefícios da dose hormonal menor são uma menor incidência de efeitos colaterais, com a manutenção da eficácia contraceptiva.
O Kyleena também é um pouco menor que o Mirena, levando à uma inserção um pouco mais cômoda.
Já os DIUs não hormonais são métodos eficazes e seguros, indicados para mulheres que não querem ou não podem fazer uso de hormônios.
Eles agem alterando o muco cervical e o microambiente uterino, tornando-o hostil aos espermatozóides, passam de 99% de eficácia contraceptiva, e podem durar de 3 a 10 anos, a depender do modelo.
Estes DIUs não cursam com qualquer tipo de alteração de pele, libido, peso corporal ou demais queixas comuns em usuárias de métodos hormonais. Entretanto, seu principal efeito colateral é a tendência ao aumento do fluxo menstrual e das cólicas.
Hoje no mercado, contamos com as seguintes opções de DIUs não hormonais:
DIU de cobre clássico (TCu380): em formato de T, tem duração de 10 anos, eficácia de 99,2%, e pode ser encontrado na rede pública.
DIUs de cobre mini e comfort: disponíveis em formatos mais anatômicos (em ômega), são indicados para mulheres com útero menores. Existem nas versões de 5 anos (Cu375 e Cu375 Mini), e na versão de 3 anos (Cu 250), que contém uma superfície ativa de cobre menor, podendo resultar em menor intensidade cólicas, e fluxo menstrual mais ameno.
DIU de cobre com prata (TCu 380Ag): a prata visa diminuir a fragmentação do cobre, minimizando os efeitos adversos, como o aumento do fluxo e da cólica menstrual. Possui formato mais anatômico (em Y), eficácia de 99,5%, e duração de 5 anos.
DIU de cobre com prata mini (TCu 380Ag Mini): versão menor do DIU, apresenta mesma eficácia e duração, porém em tamanho menor, visando maior facilidade de inserção e remoção, e sendo mais indicado para mulheres com úteros pequenos.
Contraindicações aos DIUs:
Apesar de serem métodos bem aceitos, e indicados para a maioria das mulheres, os DIUs não devem ser usados por mulheres que apresentem:
- Anormalidades anatômicas da cavidade uterina (como miomas que distorcem a cavidade uterina);
- Infecção ginecológica em atividade (podendo ser inserido após o tratamento);
- Gravidez presente ou suspeita;
- Câncer uterino: do endométrio ou do colo do útero;
- Sangramento ginecológico anormal de origem não esclarecida (podendo ser inserido após a definição a depender da causa);
- Doenças hepáticas (contraindicação apenas para DIU hormonal);
- Alergia ao Cobre (contraindicação apenas para DIU não hormonal).
Considerando todas essas opções, suas indicações e contraindicações, é fundamental uma consulta com ginecologista competente para definir qual dispositivo se adequa mais às suas expectativas e necessidades.
No Grupo Elas temos profissionais altamente capacitadas para avaliação e indicação do DIU ideal para você.
