“Eu digo NÃO à violência contra a mulher”.

Elaine Lima

Segundo o Atlas da Violência (IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 2019) , há um crescimento significativo na taxa de feminicídios em nosso país nos últimos anos. Durante a década de 2007 a 2017, a violência letal contra as mulheres alcançou a casa dos 30,7%. Em 2020, de acordo com a Rede de Observatório da Segurança (ROS),  pelo menos  cinco mulheres, por dia,  foram vítimas de violência ou feminicídio. A violência contra a mulher entrou na terceira posição do ranking de eventos monitorados pela ROS em 2020.

Como a LEI Nº 13.104/15  que trata do feminicídio é recente, datando de  09 de março de 2015, não sabemos ao certo se o aumento do registro de feminicídios tem a ver com o aumento de casos ou com a redução da subnotificação dos mesmos.

Os casos de violência contra a mulher, com consequências letais ou não, sempre ocorreram em nossa sociedade patriarcal e machista, porém não recebiam a devida atenção e punição. Até pouco tempo, falar sobre violência contra a mulher era algo banalizado, visto por muitas pessoas  como conversa de feministas.

Diante das recorrentes notícias sobre o aumento do número de casos de feminicídio ocorridos em nosso país e no Distrito Federal, casos esses que aumentaram consideravelmente durante o período da pandemia,  observamos a importância de ampliar nosso conhecimento sobre o assunto dando a ele a relevância que lhe cabe, promover reflexões e, quem sabe, formar uma aliança baseada na empatia e no companheirismo, entre nós mulheres, a fim de que possamos ajudar   mulheres que vivenciam diariamente situações variadas de violência e que nem sempre se dão conta de que são vítimas de um jogo perverso, manipulador e muito perigoso, na maioria das vezes perpetrado por seus companheiros, namorados,  familiares, pessoas conhecidas ou não.

E o que nós, mulheres,  entendemos por violência?

A violência se dá quando uma pessoa usa a agressividade e emprega sua força física ou faz uso da intimidação, de forma intencional e excessiva, para ameaçar ou cometer algum ato que resulte em acidente, morte ou trauma psicológico.

Segundo a Dra. Marli Parada (Cartilha sobre Violência contra a Mulher), a violência “pode ir da mais sutil coação até a mais cruel tortura”.

Existem muitas formas de violência que são praticadas em diferentes contextos ou situações.

A violência doméstica e familiar é praticada dentro do âmbito familiar e se refere a um padrão de comportamento que envolve violência ou outro tipo de abuso por parte de uma pessoa contra a outra (homens, mulheres, crianças e idosos).

A violência contra a mulher é caracterizada por todo ou qualquer ato de violência direcionado às mulheres que pode ocorrer dentro ou fora do âmbito familiar.

Muitas mulheres entendem que a violência  se dá somente quando  elas sofrem agressão física como tapas, empurrões, murros, beliscões, chutes,  socos ou puxões de cabelo. Por não vivenciarem situações nas quais são agredidas fisicamente nutrem a crença de que não são vítimas de violência. Todavia, é importante ressaltar que existem várias formas de violência contra a mulher e que a violência física é apenas uma delas. Quando uma mulher sofre violência física, possivelmente ela já experimentou as demais: violência sexual, patrimonial, verbal, psicológica e moral.

Há comportamentos aparentemente normais que na verdade sinalizam a presença de violência contra a mulher.  Fiquemos atentas caso não possamos trabalhar fora; sair sozinha ou ter amigas; usar as roupas, maquiagem ou adereços que gostamos, participar de atividades sociais, ter contato com familiares, se somos  forçadas a manter relações sexuais, sofremos humilhações ou desqualificações em público ou no privado, agressões domésticas de pequena monta.

Na sua opinião, o que leva uma mulher a se sujeitar por tanto tempo a uma situação de violência doméstica?

Os  motivos estão relacionados aos medos e  às falsas crenças ou crenças limitantes  que estas mulheres, fragilizadas  mental e emocionalmente,  alimentam. As mulheres vítimas de violência  se tornam prisioneiras não somente do relacionamento abusivo e violento, não somente do agressor, mas de si mesmas. Geralmente estes medos e crenças são:

Medos:

  • de romper com o relacionamento
  • de possíveis ameaças ou retalhações  por parte do parceiro/marido
  • do que os outros vão pensar dela
  • de ser julgada, criticada
  • de não ser compreendida, aceita e ajudada
  • de se arrepender – “ruim com ele, pior sem ele”
  • de não ser aceita socialmente por não ter um marido
  • de não dar conta sozinha de se manter financeiramente e cuidar dos filhos
  • de passar necessidades (falta de alimento, medicamentos, moradia  e outros recursos)

Falsas crenças:

  • de que o parceiro/marido vai mudar seu comportamento
  • de que ela vai conseguir mudar o marido
  • de que não vai conseguir viver sem ele
  • de que apesar da violência, o agressor a ama
  • de que casamento é para a vida toda, o famoso “até que a morte os separe”
  • de que mulher tem que ser submissa
  • de que o parceiro/marido está sob possessão de algum espírito maligno
  • de que o parceiro/marido é violento por estar sob o efeito de álcool ou outra droga
  • de que a culpa é dela
  • de que não é boa o suficiente e não sabe agradar o parceiro / marido
  • de que ela, mulher, é o problema.
  • de que está sozinha e não poderá contar com a ajuda de ninguém
  • de que se sentirá envergonhada por buscar ajuda
  • pena do parceiro/companheiro que não tem ninguém por ele

Além dos medos e crenças, observamos a presença de raiva, culpa, medo, vergonha, baixa-estima, tristeza, frustração, falsas esperanças, solidão, impotência, sintomas de depressão, ansiedade e ideação suicida.

Sair de uma relação violenta é um processo desafiador para as mulheres  que se encontram nessa situação. Além de fragilizadas emocionalmente, sofrem ameaças de morte ou perda dos filhos, sentem-se envergonhadas e totalmente desempoderadas, não possuem uma rede de apoio que possa auxiliá-las e nem amparo profissional. Algumas dessas mulheres sofrem em segredo e seus familiares não têm conhecimento do que vivenciam.

Por isso, não cabe julgamentos, críticas ou zombarias às mulheres  vítimas de violência. Elas necessitam de apoio, acolhimento e suporte familiar e profissional para que consigam romper o ciclo de violência do qual fazem parte.

Se você se identificou com algum aspecto relacionado neste artigo, busque ajuda profissional. Aquilo que muitas vezes parece amor, na verdade é posse, controle, manipulação. Não se preocupe se nesse momento você não consegue romper com o ciclo de violência do qual  é vítima e se vê fazendo parte. Vamos devagar, no seu tempo e no seu ritmo. Ative sua rede de apoio e busque pessoas de sua confiança que possam lhe auxiliar nesse momento. Você não precisa dar conta de tudo sozinha.

É possível romper com a situação de violência, retomar sua vida e dignidade e ser feliz.

Dra. Elaine Lima

Psicóloga em Brasília, CRP: 01/13665

Psicologia Clínica | Menopausa e Maturescência | Sexualidade

“Dentro de cada uma de nós existe uma mulher maravilhosa.”

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